Região ainda recebe poucos 'aventureiros'
A estrutura melhorou, mas ainda há poucos visitantes
Conhecida no mundo inteiro, a Amazônia é um dos cartões postais do país - ainda que a maioria dos brasileiros nunca tenha estado lá. E, se antes a falta de estrutura era um impedimento real, aos poucos a floresta vem se abrindo para os turistas - das mais variadas espécies, assim como suas plantas, insetos, aves... Há hotéis para todos os gostos e bolsos e diferentes tipos de passeios. Tudo para poder aproveitar melhor o potencial turístico da região que, segundo o Ministério do Meio Ambiente, pode render até 13 bilhões de dólares por ano. Em 2003, desembarcaram no Amazonas, de acordo com a Secretaria de Turismo do Estado, cerca de 530.000 pessoas, um pouco menos do que os 603.000 do ano anterior. Difícil é saber quantos desses turistas são estrangeiros. Um dos problemas que ainda atrapalha a vida dos visitantes é que os vôos internacionais para Manaus são poucos e é necessário parar antes em uma capital maior para uma conexão.
Um enclave urbano na fatia mais preservada da Floresta Amazônica, Manaus demorou para perceber que só lhe faltava estrutura. Hoje, o esquema básico está montado. Cadeias internacionais de hotelaria, como Ibis, Marriott, Novotel e Holiday Inn, já operam na cidade e em 2003 receberam 461.000 hóspedes. Barcos-hotéis também foram equipados para levar turistas por vários dos mais de 1.000 afluentes do Rio Amazonas com conforto. A própria cidade ficou mais agradável, com novos restaurantes e a revitalização de legados do tempo do ciclo da borracha, como o encantador Teatro Amazonas. Mas Manaus é apenas o ponto de partida. Margeada pelo Rio Negro e cercada de mata, a cidade permite que em menos de uma hora se alcance um cenário merecedor de todos os elogios grandiloqüentes, daqueles que se ouvem e lêem sobre a Amazônia mundo afora.
Um dos programas de um dia a partir de Manaus mais concorridos é o Parque Ecológico do Lago Janauari. O barco leva o turista para o encontro das águas dos rios Negro e Solimões e depois para passeios de canoa no nível dos troncos das árvores da floresta inundada. O silêncio só é quebrado quando um macaco muda de galho ou um jacaré decide voltar à água. As empresas que operam os barcos-hotéis também trabalham com passeios diários. Os roteiros mais longos podem ser definidos pelo próprio turista, com diária de cerca de 100 dólares. No trajeto até o labiríntico Arquipélago de Anavilhanas, por exemplo, há paradas para fazer trilhas e conhecer uma aldeia indígena e vilas de caboclos ribeirinhos. Os passeios de um dia, em geral, levam até reservas ecológicas próximas de Manaus.
CONTATO SEGURO - Para quem prefere ir direto para o meio da floresta, há diferentes categorias de hotéis de selva. No Estado do Amazonas, funcionam cerca de quarenta. Há desde colossos com mais de 300 apartamentos suspensos em torres de oito andares até plataformas flutuantes com quatro quartos. As diárias chegam a 2.000 dólares, mas também se encontra um hotel de selva em belo cenário por 240 reais o pacote de fim de semana, com três refeições. Ainda que cada um atenda a um tipo de público, quase todos proporcionam contato seguro com as belezas e mistérios da região. O turista pode fazer trilhas na mata, com guias que mostram árvores duras como ferro e sonoras como um sino, cachoeiras e nascentes, cipós cheios de água, anestésicos ou venenosos, raízes mais altas que uma casa, aranhas de todas as cores e tamanhos, caboclos que vivem dois séculos atrás, mantendo casas de farinha, macacos barulhentos, araras idem, ruídos indecifráveis. De barco, pode-se experimentar a pesca do valente tucunaré, ver cardumes de botos, com alguma sorte também os grandes e rosados, procurar jacarés com o dobro do tamanho dos pantaneiros, entrar pelos canais estreitos, chamados igarapés, e nas áreas alagadas, os igapós, berçários que a cheia amazônica constrói para 3.000 espécies de peixe.
E é justamente essa variedade, além da abundância, que atrai pescadores do mundo inteiro. A pesca esportiva é um dos chamarizes para o turismo na Amazônia. Uma das espécies mais procuradas é o tucunaré-açu, considerado o peixe mais esportivo do mundo e só encontrado na Bacia do Rio Negro. Mas outros, como o aruanã, a pirara, a piraíba ou mesmo o apapá são troféus que trazem satisfação ao pescador. Se os pescadores são turistas mais econômicos que gastam em média 1.200 reais por semana, um outro público, bem mais endinheirado começa a aportar por ali. Um número crescente de companhias de navegação incluiu a visita à Floresta Amazônica em roteiros que se iniciam no Caribe, nos Estados Unidos ou na Europa. Os caudalosos rios são um achado para embarcações feitas para cruzeiros marítimos. Se os pequenos navios podem circular por estes rios, os maiores também conseguem diversificar a viagem: param em Manaus e despacham os passageiros para passeios em pequenos barcos. É uma forma de atrair um tipo de turista diferente: mais velho e bem mais rico que gasta em média 135 dólares por dia com a compra de artesanato e passeios de barco.
CAPRICHOSO E GARANTIDO - Munidos de bom preparo físico e um certo espírito aventureiro, os ecoturistas se esbaldam na floresta. A cidade de Presidente Figueiredo, por exemplo, a 140 quilômetros de Manaus, é uma ótima pedida. O município abriga mais de 100 cachoeiras dentro da selva, sítios arqueológicos, uma reserva dos índios uaimiris-atroaris e o lago da represa de Balbina, além de nove cavernas abertas para visitantes. Para chegar até todas essas atrações o ecoturista percorre várias trilhas no interior da mata nativa. Ao norte do estado está o Parque Nacional do Pico da Neblina, com o ponto mais alto do país: o pico da Neblina (3.014 metros). O Amazonas também abriga o maior corredor biológico em área de floresta tropical preservada do planeta, formado pelo Parque Nacional do Jaú e pelas reservas de Mamirauá e Amanã.
A Amazônia agrada até quem não dispensa um boa praia: são 200 fluviais. A mais famosa e bonita é a Alter do Chão, que fica em uma rústica aldeia de pescadores a 35 quilômetros de Santarém, a segunda maior cidade paraense. De um lado, um lago azul-turquesa. Do outro, um rio (o Tapajós) e suas águas esverdeadas. Entre os dois, uma praia cuja areia é de um branquinho caribenho. A cultura popular da região também começa a chamar a atenção dos turistas - como as festas do boi-bumbá e o Festival Folcórico de Parintins, cidade às margens do rio Amazonas. Em junho, a disputa entre dois grupos, Caprichoso e Garantido, atrai milhares de turistas. É uma festa empolgante, marcada pelos ritmos fortes da música e das danças, a criatividade das fantasias e a grande participação popular.
Fonte: Veja online
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